quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

graffitti



são  tantas  as   paredes  
da cidade 
onde podemos  escrever 
um poema!…

(c) Carlos Clara Gomes

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

cantiga da rua


voa,
ave nocturna,
o sol já se pôs
para lá daquele morro


o último autocarro
já leva as formigas da cidade

néons escrevem
nos céus da noite
frases alusivas:
compre isto,
compre aquilo,

garantem que o seu
é o melhor de todos os produtos

mulheres ainda meninas
deixam-se devassar à porta das pensões
e nas estações dos comboios:

para elas começa outra estação

carros partem,
carros chegam.
quantas almas
os povoam?
quanto amor alugado
pernoita
nos seus estofos?

proxenetas invadem a noite
ostentando brilhantina,
marcas de baton,
cicatrizes de afiadas navalhas...
(ferimentos de guerra...)

haverá em todo este folclore
uma nesga de humanidade,
uma réstia de ética,
um não-sei-quê de amor?

sonhos?

só o pó da estrada
e as noites mal dormidas e,
talvez,
um crucifixo ao pescoço
a trazer panaceias

as certezas?
correr santos pousada
e a rua da alegria
fugindo
à ramona
e à fome

um dia,
verás,
essa rua será tua

© Carlos Clara Gomes

politicamente correcto


dantes
era bem mais fácil
perceber as coisas

mas isso era dantes…

depois soçobrou qualquer coisa,
qualquer coisa inexplicável,
qualquer coisa daninha,
qualquer coisa...

ainda hoje ando para descobrir o quê...

andava eu então entretido
a pastorear utopias,
a apascentar sonhos,
a gastar o meu prazo
de ser generoso
— todos nós temos estes prazos
em dado tempo,
todos nós somos feitos
de matéria cuja validade
está datada,
bem datada,
amarrada aos nossos corpos
e,
mais duro ainda,
colada com lacre às nossas almas —
passando estes tempos
estamos fora de validade:

deixa de ser correcto fazer isto,
fazer aquilo e,
quem teimosamente o fizer,
ai jesus que está demodé
ou
é um nostálgico
ou um saudosista

não!

querem fazer dos nossos putos
adultos sem graça,
querem tirar-lhes o sonho.

querem que os nossos adultos
não sejam mais putos

e, feitas as contas,
o que resta?

apenas tempo para fazer mais putos,
mais fornadas de putos que,
mais tarde,
serão adultos sem graça,
sem sonhos…

apenas com o sonho
de ter tempo para fazer mais putos,
mais fornadas de putos que,
mais tarde,
serão adultos sem graça,
sem sonhos
e por aí fora… 
até ao inexorável (será?)
fim (haverá?)
deste ciclo vicioso
e viciado,
desta terra a desbravar
cuja floresta
não deixará de ser virgem,
deste mar por descobrir
sem nunca se atingir
o horizonte
cuja ténue linha
se esgota no além,
no tempo e no modo
— andando à roda,
brincando às cegas,
à cabra-cega,
olhos vendados,
buscando alguém
na vertigem do desassossego,
no fiasco duma revolução —

onde?

onde estão aqueles
dias às cores
cujo primeiro deles
foi cinzento?
(truque para enganar incautos...
dia com cara de ser um dia de merda;
ou então o cenário de um golpe militar
à moda latino-americana...)

ah, fora eu poeta
e cantaria em verso
a indizível
descrição do amor
com a facilidade
com que redijo
um rol de lavandaria,
com a agilidade
com que elaboro
uma lista de compras em hipermercado...

e faria
um qualquer poema apaixonado,
uma única e singela estrofe,
um poema de amor ardente

todavia
por mais que me esforce
não consigo ser poeta.

cada um
é para o que nasce
quedo-me, pois,
por prosas enviesadas
e trôpegas
sem remo nem rumo
sem oráculo nem pitonisa
sem teorema nem corolário
sem fuso nem roca

todas elas, porém,
arrancadas
do mais ínfimo átomo
que habita
as entranhas desta alma
apaixonada

© Carlos Clara Gomes

arco-irís


caminhávamos desnudos
pela praia sôfrega,
mão na mão,
prometendo mutuamente
sob a luz prolixa do luar,
o mundo e as estrelas


qual luar?

chovia abundantemente
como não usava acontecer naquele mês

mas alguém se importava?

subimos os esconsos de uma escada
que subitamente se postara na nossa rota
e fomos ter com o arco-íris que,
ali, sem mais nem menos,
se edificara,
com aquele intenso luar,
com aquele imenso luar,
com aquela chuva abundante

e lá estávamos nós de mão dada,
caminhando sobre o arco-celeste,
no arco-da-velha
até que a furibunda manhã
viesse reclamar o nosso despertar,
trazendo com ela a abominável realidade,
a indescritível lufa-lufa,
o terrível medo de nós mesmos

e assim se sepulta mais uma noite de amor,
mais um irreal estádio de sofrimento e gozo
para que o dia — esse canalha —
nos lembre que é ele o senhor,
que é ele o rei,
que é ele a estrela,
enquanto a noite é uma puta insaciável,
adúltera,
meretriz,
promíscua,
ninfomaníaca,
ávida de sexo e álcool,
de fumo e orgia,
de amor e morte

e nós, coitados de nós,
facilmente acreditamos em tudo o que nos é dito.

e temos vergonha da noite,
o que faz com que também
tenhamos vergonha de nós próprios
e levantamo-nos contrafeitos
rumo a um eventual banho
que eventualmente purifique nossos corpos,
que os lave da saliva e mel derramados,
que faça esquecer o fragor da contenda
na exiguidade da sala de combate

e cobrimos nossos corpos com pudor,
com vergonha,
não vá alguém reparar
nas marcas na carne como ferro em brasa
— gado que fomos nessa noite —
ferrando um no outro o seu próprio sinete

© Carlos Clara Gomes

registo de ocorrências num rectângulo hidráulico (por acaso, ibérico)


nada faz sentido no meu país

aqui não cabem o rigor do big ben,
o exotismo do taaj maal
e até o cristo do corcovado
foi adaptado para um enorme saca-rolhas em lisboa

neste rectângulo hidráulico
de meia-dúzia de acres de solo arável
não proliferam gênios
que o nobel consagra
nem estrelas
que o firmamento de hollywood caprichosamente apaga

neste meu país, godos, vikings e outros avulsos hunos
despendem o seu incomensurável tempo em grandes férias,
atravessando-as no tempo das férias grandes dos nossos putos,
por vezes atravessando os nossos putos durante as férias

e por falar em putos:
as sirigaitas e os galfarros de cá
— os de hoje e os de sempre —
também não fazem sentido

não fazem mesmo qualquer sentido
(como tudo o demais,
acrescente-se,
tinha-se evitado a redundância)

este é, pois, um português país
onde cedo os meninos deixam de brincar
onde cedo os estagiários na pré-velhice
morrem de acidente vascular cerebral
onde tarde deixamos de trabalhar
onde cedo nos levantamos para tocar os bois
onde frequentemente mentimos
tão bem
também
sobre as causas próximas das nossas felicidades
e acerca dos remotos efeitos dos nossos quebrantos
onde viramos vidas página sim, página não...
sim,
virando páginas,
novo ciclo em nossas vidas,
prometemo-nos um irreal mundo novo em tudo melhor:
um microondas no fim do mês
um novo amor para a semana
um mais florido canteiro qualquer dia
refeição melhorada em dia de natal
(mas que belo é o natal
— coitadinhos é dos putos
agarrados àquela merda
no casal ventoso — passaí mais bolo rei...)

no entanto nova guerra floresce
num ignoto canto do hemisfério
novos mortos a pesar nas nossas consciências
apesar de não termos consciência
dos velhos vivos que nos pesam

amores?
talvez...

num devaneio de fim-de-semana,
fim de estação,
cio de gatos,
pólen das árvores,
primaveras saídas de caixinhas de surpresas
que distraidamente abrimos de quando em quando,
não sabendo nunca quando parar de o fazer

amores?
talvez não...

ou talvez sim,
se deliberadamente os confundirmos com
carências
afectos
mão no rosto
mão na mão
dedos no mamilo...
o cabelo solto para que,
dentro do quarto, o vento o faça esvoaçar,
o agite,
o exorcize,
gemendo baixinho na cama
para que os miúdos não oiçam,
para que a velhota do rés-do-chão
e o tarado do segundo esquerdo
não escutem à porta
e vão contar a todo o bairro no dia seguinte,
alvorecendo o dia,
sepultando a noite de amor

também lá mora aquele senhor reformado da psp
com cinquenta e cinco anos apenas!
(parece que também lhe contaram o tempo de tropa).

conta lá no bairro histórias de áfrica,
foi dos comandos,
era matar ou morrer,
ficou-se pela primeira opção

é ele o nosso herói privativo,
o mais próximo,
o mais possível

com o rosto dele empreendo imaginar
os de nuno álvares pereira
e de fuas roupinho
à falta de melhor

são estes heróis assim que dão sentido ao meu país,
aqueles que cumprimentamos no minimercado,
no autocarro — onde viaja com bilhete de cão —,
no futebol ao domingo
e por aí adiante,
onde quer que se encontre pois é omnipresente
— a sua aposentação dá-lhe para isso —
é mesmo o único herói vivente conhecido,
respeitado e respeitoso,
monumento animado,
animador de sardinhadas
(não fora as espinhas e o cheiro nas mãos
e atrever-me-ia a petiscar uma delas
mas fico-me pelas febras e pela boroa),
cantador de fados e tocador de realejo
isto sim, é um herói:
confere sentido ao meu país
e honra, também,
dá-lhe grandiosidade e eloquência,
pois fala que se desunha
(de tudo e por tudo,
a propósito
e — quase sempre —
a despropósito também)

mas nem sempre isto foi assim alegre e soalheiro:
volta e meia acordávamos
com um certo amargor na boca
como se mais nada houvesse para além de nós
(o que é terrível quando não somos
nem heróis nem nada de especial)

e por, ainda por cima,
vivermos num país onde nada faz sentido,
com esta sensação de vazio,
de breu,
de torpor,
de acordar sem deixar de dormir,
dormindo sem sonhar,
adormecendo sem dormir
(é só escolher,
embora a ementa não seja vasta)

esta sensação percorria-nos a espinal medula
e órgãos adjacentes

e aquilo que não fazia sentido no tal português país
ainda menos sentido fazia assim
(se é que me posso expressar desta forma)
apetecia-nos dormir virando a cara para o lado
virando o corpo para o fado
virando tudo para o lado
virando o fado para o lado
entregando a alma ao fado
virando mais uma das milhentas páginas
que a nossa vida gera
parecendo ser apenas uma
(não nos deixemos enganar pelas imitações)

eram tempos diferentes,
em tudo diferentes dos de hoje
(oh, como são belos os tempos de hoje!...)

não havia:
nem emissões de televisão a cores,
nem cinemas com som tridimensional
e o colombo que havia
não era nenhum centro comercial,
pois o único com esse nome
então conhecido tinha morrido
havia já muito tempo
e não passava de um descobridor
de controversa procedência,
como uma carta sem remetente
ou um guarda-chuva esquecido no café.

era assim o meu português país
em tudo diverso do que hoje conhecemos
— diverso de todos os outros países conhecidos então —
em nada semelhante aos grandes países que hoje todos,
felizmente,
conhecemos,
tal como o conhecemos hoje assim,
tal e qual ele é.

era famoso o meu país:
pelos ditadores empedernidos
pela fome
pela hipocrisia
pelos desamores
pela polícia
e até, mais tarde,
pelas revoluções generosas,
sem precedentes,
sem exemplo
(sem futuro?…)

houve, porém,
belos momentos então,
a saber:
a canalha lado a lado com os militares,
as ruas com gente
(já deram conta que já não se ama na rua,
já não se ama a rua?)
gritando frases então na berra
e tantos,
tantos,
tantos outros
e muitos mais
que não fluem pois,
por serem tão irrealmente reais
mais parecem espuma de sonhos
em noites bem dormidas
e melhor amada.

agora, o português país
não é mais aquele rectângulo hidráulico já referido

é muito mais que isso:
é história! — dizem-me
é cultura. — convencem-me
é uma terra de oportunidades… — mentem-me
sem deixar de ser um país em eterno leasing,
em soturno decrescendo,
numa vertigem de assombro,
num envergonhado passado próximo,
num escondido futuro distante,
num académico presente ausente
dum pretérito imperfeito
(um ingénuo superlativo absoluto simples
em formato dialéctico)
onde a espiral da história busca expirar
pois este é um bom país para se morrer: 
é limpo e sossegado,
de brandos costumes até
(palavras brandidas adrede)

pois é,
perde-se por aqui a medida do tempo,
o espaço também não ajuda
— isto é tudo relativo,
estão a ver? —
e, quando a cama é curta
algo nos fica de fora: 
por sagres já caiu muita coisa ao mar
empurrada pela sobrelotação
da grandiosidade ufana
que povoa este meu português país pequeno

e deus é minha testemunha
— é para isso que serve deus —
que não há nada pior do que um país pequeno
armado em grandioso!

aliás,
até há:
pior mesmo que um país pequeno armado em grandioso,
só uma cidade pequena armada em metrópole...

deve haver ainda pior,
quiçá...
mas quedo-me por aqui
pois não me calha nada mortificar-me
com outras ridículas e mesquinhas exemplificações
que mais não são senão edições de bolso das descritas...

e assim, tergiversando,
consegui,
talvez,
ter por breves momentos a atenção de uns quantos,
o que, satisfazendo o meu ego,
pouca mais valia acrescentou
ao stock existente desses uns quantos

(gostaria de, eventualmente,
conseguir acabar este texto ainda hoje,
arrumando-o num canto qualquer,
arranjando-lhe uma providencial coda,
um consolador gran finale,
mas afigura-se-me que não me presentearei
com tal desprazer...)

© Carlos Clara Gomes

meu passarinho ardente


outrora,
com a cantarinha ao ombro,
sopesando contrapesos,
passavas na velha quelha


abrasavas as almas
que te miravam as pernas,
espreitando pela saia
e sorrias para a gente

já ninguém sabe de ti:

dizem que foste para longe
esgravatar outro solo
num qualquer reino distante

eras a deusa do bosque
quando colhias gravetos.
em serenatas esparsas
cantavam-te vários sonetos

hoje só fica a janela
onde à noite te postavas
esperando que o luar
viesse lavar teu rosto

já ninguém sabe de ti.

só dizem que voltarás
numa quaresma esquecida.

cá te fico esperando.
por onde andas, cotovia?

meu passarinho ardente

© Carlos Clara Gomes

a noiva da noite ou retrato de mulher no cais durante


como tens passado?

foste noiva na tempestade
(quanto é difícil ser noiva...
quão fácil é haver tempestades...)

hoje a tempestade amainou

teria mesmo sossegado
ou será mais uma inquieta noite?

ou vives desassossegada
por teu noivo ter partido,
deixando-te no molhe,
noiva para sempre,
amor adiado?

talvez um dia
aporte ao teu umbral.
talvez um dia
a porta chie pesada nos gonzos
e ele entre
com um cheiro de mar na bagagem
e uma flor tropical na lapela
e te inunde a vida
com histórias vividas
e te inquiete o sono nessa noite
afagando o teu adormecido seio esquerdo
e o desperte
tantos anos anos depois
daquela noite
em que ficaste noiva da noite,
noiva na noite,
noiva de um sonho
que com ele viajou,
para trás o cais deserto,
teu esguio vulto acenando adeuses,
o lenço acenando,
o lenço enxugando teu olhar de mar,
perdido no mar,
perdido na vida

para quando?
até quando?
por quanto?
algo paga sua ausência?

algum sonho acalentas
em teu franzino peito.

sonhas com,
quem sabe?
— a vida dá tantas voltas —
um regresso intempestivo,
um furacão que o devolva
ao teu peito incendiado

rezas para que,
por lá,
ele tome inquietações
e volte correndo
a aninhar-se em teu colo,
buscando encontrar quietudes
na macieza da tua sempre pele de menina.

rezas para quê?
porventura achas que ele ainda vem?...
por que não segues os sábios conselhos
que frequentemente te entregam:
procura quem te console...
esquece-o!...
se ele te amasse já teria voltado!...

e assim te vais mortificando,
indecisa...
balançando
entre a evidência
e o letargo

e se ele já te esqueceu?

e se vives a humilhação
de nem sequer chegares
um dia a ser viúva?

mas,
e se,
de repente,
alguém bate à porta
e te levantas,
sôfrega e tropeçante...

e ali está ele...
não,
não é ele...

afinal é apenas
uma carta...
(será dele?
esta vem de longe,
traz um selo de outra cor...)

e se nessa carta
alguém teve o mau gosto
de te libertar do teu compromisso,
de te quebrar a grilheta
que tu própria amarraste ao tornozelo?

sim?

e, se alguém
(certamente num assomo de crueldade...)
resolve escrever-te laconicamente
e, com esse acto,
desvanecendo teus sonhos,
arrefecendo teu coração,
impedindo-te de continuares voando,
voando,
voando...
voando para sempre?

sim...
e se esse alguém
te escreve
lamentavelmente informamos
do passamento de seu noivo,
acrescentando alguns escassos,
sórdidos,
pormenores,
descrevendo o fatal evento
— coisas que as lágrimas
já te não deixam ler —
coroados pateticamente por
sentidas condolências?

ou então
— pior ainda –
se é ele mesmo quem te escreve
pelo seu próprio punho
— ai!…
tu reconheces a grafia…—
informando que lastima,
mas está apenas a cumprir
um português porvir
que não só o predestinou à diáspora
como também lhe reserva
um radioso futuro
na elaboração da tropical mestiçagem?...

sim,
e se ele resolve escrever-te
comunicando que casará
para o mês que vem...
o que,
atendendo à data da carta,
significa que a boda
já se consumou
há mais de um mês
(outros tempos virão
em que as notícias
se saberão de pronto,
lestas
e funéreas)?

e assim te vais entregando
a um sonho,
paulatina
e desenfreadamente,
não obstante a raposa
te rondar o redil
(ah...
como as tentações da carne
são fortes...)

e cruzas as pernas em desatino,
o cabelo em desalinho
e a alma sabe-se lá em que estado...

ou então, se um final feliz ocorrer
— o que é raro nestas histórias,
fica o aviso —
e ele (sim, ele ... )
te chegar pelo alvorecer,
no primeiro benfazejo raio do dia,
sussurrando amo-te ao teu ouvido,
beijando-te até à alma...
dançando contigo
uma valsa fora de moda?

então voarás,
serás leve,
baterás tuas asitas de mariposa
e concluirás que dormiste um sono
de muitos anos
e que já não és mais noiva da noite
e que o dia já nasceu

e dir-lhe-ás
esta noite tive um pesadelo horrível,
nem vais acreditar...

mas ele,
porém,
acreditará.

© Carlos Clara Gomes