sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
a noiva dos estios
andavas por mansas luas adejando
feita ave
mesmo nua
carregavas os aromas da cidade
trazias na algibeira
manhãs de sóis
encobertos
e dos cabelos
soltavas
raios de luz
mal despertos
eras noiva dos estios,
namorada das marés,
sussurravas-me
ao ouvido
quebrantos
e candomblés
alguma noite
apareceste
no nevoeiro dos filmes
e dormi no teu regaço
sonhando teus seios firmes
mas andaste
pela vida
como rua abandonada,
isto enquanto tropeçavas
nas paixões que desatavas
toda esta sede de ti
é tanta
e tão pujante
que me afoita madrugadas
e me cambia o levante
ai quem dera...
que as noites fossem corais,
que a chuva caísse breve...
que a manhã, enfim, chegasse,
na agonia que descreve
e que todos os poemas
se encerrassem numa nuvem
e que rimas mal paridas
e métricas desacertadas
te trouxessem ao meu leito
a eito…
© Carlos Clara Gomes
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