sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
tango improbable
dança comigo este tango,
rodopia no salão
(que noites trazes vestidas
na tua pele de princesa…)
dança comigo este tango,
esta guaracha,
este mambo
e pega na minha mão
enquanto a orquestra progride
e guia nossos passos soalho fora
dança comigo este tango,
minha rainha de tebas.
há quem inveje nosso requebro,
o nosso rodopiar
dança comigo este tango,
volteemos no salão,
enquanto meu braço prende
tua cintura delgada
dança comigo este tango...
ouves?
tiritiritiritiri…
o bandoneon reclama-te
reclama teu nome
que dita esta tragédia,
que anuncia
teus lábios ardentes
e húmidos
e quentes
dança comigo este tango,
esta história de amor e mar,
de cinema e cabaré
dança comigo este tango,
este grito cruciante,
este assédio,
este vento
dança comigo este tango:
só tu deténs o engenho
de me fazer voltear
dança comigo este tango,
assim mesmo:
como se pisássemos
sarça ardente
dança comigo este tango,
este lamento nocturno,
este dolor de mis penas
dança comigo este tango:
sou um ébrio marinheiro
de camiseta listada
e rojo pañuelo ao pescoço
dança comigo
vá lá…
dança comigo este tango,
furibundo,
calamitoso,
ingénuo
e sensual
(e obsceno, até)
dança comigo este tango,
quem dera não cesse a música
quem dera possas dançar…
© Carlos Clara Gomes
Pintura: José Aníbal Inurritegui
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