sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

na mais fina realidade dos nenúfares


reinventar-te a cada hora,
a cada dia,
na mais fina realidade dos nenúfares
e sentir-te num momento
uma gazela
que flutua nas manhãs
por inventar


saber-te nua de esperanças
e resguardar
meu desejo angustiado
no teu ventre
enquanto ao sol
se descoloram primaveras
por dizer
em palavras desfiadas
em canções

pode ser que a madrugada
venha prenhe
de ilusões e fés inquebrantáveis
e que o segredo
que escondes no teu rosto
se revele no sorriso
por ofertar

amanhã pode ser tarde
para tanto amor
por explicar
hoje pode ser cedo ainda
para tanto amor
inexplicável.

© Carlos Clara Gomes

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